CASO CLÍNICO 1

C ada vez mais, o objectivo do médico dentista ao reabilitar os seus pacientes está focado na aproximação à natureza. A imitação do natural tornando a intervenção do clínico o mais imperceptível possível, é também o desejo da maioria dos pacientes que nos procuram por razões estéticas. No entanto, na reabilitação com implantes as dificuldades são variadas, sendo tanto maiores quanto maior é a reabsorção óssea existente.

Neste caso clínico, a paciente de 55 anos apresentava doença periodontal caracterizada pela alteração da cor e textura da gengiva1. Segundo a classificação de Nyman e Lindhe, tratava-se de periodontite grave, devido aos sinais avançados de destruição periodontal incluindo perda óssea horizontal. A perda contínua dos tecidos de suporte foi agravada por uma apicectomia pós-tratamento endodôntico. Os pontos anteriores reabilitados com prótese fixa, já com alguns anos, apresentavam mobilidade de grau três1.

O objectivo do médico dentista ao reabilitar os seus pacientes está focado na aproximação à natureza.

Após estudo deste caso clínico, o objectivo traçado foi no sentido da obtenção de uma prótese final estética, o mais próximo dos dentes anturais. Resolvemos extrair as peças dentárias do maxilar superior, procedendo-se simultaneamente à remoção do osso maxilar (osteoplastia), enxerto ósseo autógeno e colocação de implantes (Branemark System – Nobel Biocare) imediatos (pós-extração), que suportaram após a cirurgia uma ponte provisória total (carga imediata). Sendo o osso tipo III/IV a resistência de introdução dos implantes não foi grande, não permitindo em algumas situações torque de inserção maior a 15Ncm.

Optou-se durante o acto cirúrgico pela colocação de mais implantes, para que se pudesse cumprir o protocolo de carga imeadta pré-estabelecido, permitindo ao paciente usar durante o tratamento uma prótese fixa provisória. Os implantes utilizados para suportar esta prótese tinham torque maior ou igual a 30Ncm. Durante o período de osteointegração, a mucosa foi modelada utilizando a ponte fixa provisória, através de compressão por meio desta. Diversos ajustes foram executados na ponte acrílica, principalmente a nível dos pônticos de forma a criar a ilusão de existência de papilas interdentárias.

Durante alguns estudos, nomeadamente Araújo, M.G. e Lindhe, J.6, a colocação de implantes imediatos não impede que aconteça a reabsorção de parte das tábuas ósseas alveolares, vestibular e palatina/lingual (com maior perda a nível bucal). Tal facto, implica cuidados especiais quer ao nível do osso como dos tecidos moles, para que a estética da reabilitação final não fique comprometida.

A ponte fixa cerâmica (Vasco Marques, Técnico de Pró- tese Dentária) repõe apenas a coroa dentária (FP-1 segundo a classificação de Misch)5 semelhante ao dente natural. Tal foi possível devido ao volume, posição do osso residual, enxerto ósseo autógeno durante a colocação dos implantes e modelação de tecidos moles durante a fase provisiória.

Referências
1. Schmidser, J. – Odontologia Estética – Atlas de odontologia, 2000
2. Lindhe, J. – Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral, 2001
3. Jens Fischer – Estética y Prótesis – Consideraciones Interdicisplinares, 1999
4. Michael J. Engelman – Oseointegración – Diagnóstico Clínico e Alternativas Restaruradoras
5. Carl E. Misch – Prótese sobre implantes, 2006
6. Araújo, M.J., Wennstrom, J.I., Lindhe, J. (2006) Modeling of the buccal and lingual bone walls of fresh extraction sites following implant installation. Clinical Oral Implants Research. 17 (6) 606-614

SOBRE O AUTOR

Dr. António Patrício
Diretor Clínico da Oral Concept

Diploma in Implant Dentistry – Universidade de Gotemburgo, Suécia.
Formação pós-graduada em Implantologia.
Reabilitação Oral em diversas instituições internacionais: New York University College of Dentistry
Universidade de Gotemburgo
Universidade de Umea (Suécia)
Halmstad Hospital (Suécia)
Branemark Clinic, Gotemburgo (Suécia).